20 junho 2013

Estou Ficando Velho


Estou ficando velho. Foi essa conclusão que cheguei na insônia desta madrugada. Mas sou um velho feliz.
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo. .. Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como um carro acima de centena de milhares de reais , mas que parece tão  igual ao meu Pálio 2012 na minha garagem. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por alguma coisa  perdido ... Eu vou.
E se resolvo pintar? Eu pinto. Misturo tintas. Impressionismo, pós impressionismo, realismo, naturalismo, não importa o movimento. Eu chamaria de Zérenatismo. Se vai ter algum valor, se alguém o considerará como mais do que uns simples rabisco, pouco me importa.
Vou andar na praia em um calção excessivamente largo sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata e jamais moraram no Prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.
 Assim, apesar de talvez vocẽ pensar o contrário, eu gosto de ser idoso.
A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias se me apetecer, vou comer picanha, vou fumar meus charutos cubanos, vou fazer o que me der na telha.


José Renato de Freitas Almeida
Prata MG

6 comentários:

Rita Abrevaya disse...

Gostei muito do teu texto pois eu estou fazendo quase isso,ainda preciso me livrar de conceitos e preconceitos enraizados por toda uma vida,mas eu chego lá.
Um abraço
Rita de Cassia

Rita Abrevaya disse...

Gostei muito do teu texto pois eu estou fazendo quase isso,ainda preciso me livrar de conceitos e preconceitos enraizados por toda uma vida,mas eu chego lá.
Um abraço
Rita de Cassia

Ubuntu disse...

Olá, já vi esse texto várias vezes na Internet sem autor. Acho muito bacana. Você é o auto?

Anônimo disse...

Menino, adorei o seu blog. Serei seguidora, Boa tarde e felicidades
Tânia P. Guimarães

Antonio Carlos de Assis Brasil disse...

Seu texto é tão bom que circula na internet como sendo de Autor Desconhecido. Isso acontece quando pessoas, muito entusiasmadas (ou sem ética), copiam um texto e o enviam sem ter o cuidado de respeitar a autoria. Eu gostaria de ter sido o autor...
Parabéns, José Renato! Você é 10!!!

Efigênia Coutinho disse...

A mensagem que postei em outro texto seu, seria sobre este aqui, desculpas!
Efigenia